21.4.18

TANGO SUBMERSO

 Ilha dOs Casos Raros.
Cidade do Desterro.
21 de abril é o mês. 
2018 é um ano como qualquer outro.



I

A paisagem está organizada com uma meticulosidade quase científica. Varro com a ponta do indicador a poeira que cobre a superfície granulada da lixa, serra, formão, trena, serrote, prumo, marreta, martelo, lima, tesoura, torquês, alicate, chave-de-fenda, foice, facão, enxada, rastelo, esmeril, pregos, parafusos, porcas, molas, capanga, arpão, linha, anzol e tarrafa intocados no fundo da velha oficina. Houve sempre um artesão rodeado pela graça dessas ferramentas que produzem um profundo sentimento de exaltação em quem as observa manuseá-las de um secreto ponto que sangra, ilumina e apaga e parte de nós como uma memória desfocada. O mestre de obras com poder de síntese e capacidade de conclusão têm agora uma dura missão: a de consertar esse erro brutal de impressão, que resulta da ignorância de que há um desnivelado buraco sobre a camada fina da parede branca do qual tudo gira e tão ritmicamente que nos imita. Podemos, por exemplo, imaginar uma coreografia de sombras eternamente aprendizes que embebe a alma e circunscreve a rotação de uma roda que corrige milagrosamente a rota. Aparo a roda com a mão e o dedo pinta uma explosão.

II

Dos braços de uma criança que brinca sozinha lá fora levanta-se a areia, o cimento, a pá e a cal. É como um canteiro em obras de uma casa giratória da qual se pode abrir uma pequena janela, ainda que ela não exista. — Vem cá  convida-nos  a criaturinha na imobilidade da tonelada de luz que entorna do quebra-cabeça de inúmeras peças que intuímos espalhadas ao redor da sua carruagem de abóboras e que nos deixa mudos de espanto com seu elaborado poder de reuní-las em diversos ângulos de uma mesma tela e sem a menor preocupação de quando ela ficará pronta.

III

Sonhei com livros que saltavam das estantes como peixes na direção de velhas hélices. Que querem esses afogados? Passagem?! Talvez possamos nos reconfortar neles: nOs muros. Estes aí, construídos pela justaposição de discursos que ao invés de encher só nos esvaziam, ainda mais de tudo.  As pontes põem o mundo em suspenso, além de muitas outras coisas, também. Ninguém, além de mim e você, está interessado em velejar por mares abertos, por mais que os barcos se esforcem em trazê-los para perto. E nem podemos dizer que chegamos ao fundo quando não há nem mesmo um poço. 

IV

O caramujo desliza pelas erosões de um tronco apodrecido de carvalho trazendo em sua concha o canto morto de um antigo pássaro. A imóvel aranha tece uma trama que a enreda e que, de um jeito ou de outro, voltará para prendê-la em sua própria teia de ausências. O coche puxado por corças galhadas regressa das sombras para onde fora expulso. Uma mão anônima arma o arco e alija as setas à procura do espécime nobre e peludo que estruge violento e íntegro do vale  para infundir o medo da morte. A raposa ainda não sabe se escapou  da sua toca pétrea que geme e treme ao som enfurecido dos timbales e djembes. Os besouros banham os membros úmidos entre as cascas de frutas e restos de estrume de um bode que bale entre os rumores das folhagens. Um cão de olhos cor de avelã cava com as unhas um buraco nos pés dos botões soltos do manacá-roxo, como se procurasse um vestígio, uma pista ou uma chave perdida. Um pavão branco abre a cauda e exibe os olhos multiplicados e propositalmente escondidos entre o leque das penas chuviscadas de barro. Os papagaios continuam insultando os vizinhos com palavras de baixo nível das suas gaiolas de portas entreabertas. O rinoceronte do pôster é o ator principal e reivindica o papel de uma ternura que não será exercida, nem agora nem nunca. A zebra acaba de perder todas as listras, as pretas e as brancas, quem mandou passar pela cerca? O urso se deixa usurpar por uma Frida clandestina que fala em seu nome e sempre lhe causa uma sensación de desrealización com suas poesias diversionistas. Os macacos penteiam as franjas repicadas nas reuniões entre colegas e versáteis que são tentam, em vão, parecer inteligentes pagando este bando de micos que acham que liberdade é fazer o que é preciso. A hora cósmica desistiu de esperar pela vinda do búfalo, ele saberá por quê. O boi tumbá de papel-de-seda-rayon está discutindo a filosofia dA fita veda rosca tigre que serve para impedir a folga existente tanto entre as instalações de torneira de água fria quanto de água quente. Não acredito, não é possível e não nada há de errado com este pessimismo, é Torah, o grilo rabino que mora comigo. Torah disse-me uma vez que a humanidade se sofisticou tanto que inventou a terapia. As redefinições de sentido encobrem-nos tão explicitamente que já somos autossuficientes para encontrar soluções genéricas para problemas específicos, e não tente me parar com seu ingênuo otimismo, Torah, a minha tristeza é funda demais e não posso continuar sem agonizar.

V

Os componentes da banda Jung and Freud confortavelmente instalados no claroscuro dos shopping center's, cafés high society, smartphones apple, postos de gasolina, rodovias, cracolândias e sabe deus em que outros becos e esquinas onde a juventude está perdida, agora pausam as imagens para decifrar as legendas, desconcertados de tanta vergonha por tê-los enviado para estes laboratórios de almas vazias e não raro, prescritos por analistas da moda que transacionam esperanças de ressuscitar os mortos de tanta vida. Um pintor avisa que há um sol na janela do quarto, um poeta explica o canto de um pássaro sobre a cerca de arames farpados, um sapato pisa no perfume das flores e esmaga-o. O ofício de explorador tem lá suas compensações. Diante do respeitável público, aprendemos a nadar em enchentes de puro versus fogo, deitar sobre camas de pregos e a engolir espadas desembainhadas. A bailarina-sem-cabeça ensaia uma nova coreografia na língua de fogo dos canhões de artilharia, uma bola quica no pé torto de um moleque perna-de-pau, acerta a fronte do trompetista e alguém intui o grito congelado e repetido ad nauseam sob o clarão dos castiçais de sete braços cruzados que bruxuleiam exaustos nos salões abandonados.

VI

Estamos na lista negra, ou melhor, na ardente listra vermelha do colete de pesca dos nossos avós. Para trás e para a frente e para trás e para a frente dizem as varas de bambu dançantes, deixando cair a quimérica gota d'água, com centenas de milhares de anzóis que engancham uma palavra-peixe após a outra em nossas bocas. O olho é o melhor dos pescadores. Não é surpreendente encontrar Hemingway passando a tarde no barco de pesca do Poe? Ele está ensinando a penosa estátua manchada pela fuligem pela pátina e pela miséria que sua dieta forçada de inércia não passa de uma embaraçosa especulação sociológica e incapaz de transformar o própriO Corvo moribundo que a encenara. A aquisição de ontem naquele sebo que sempre passa por mim quando passo por ele veio com um insperado presente. Nomeei-o de L-A Fuente, aquele que chove ar no fim de um filme triste. Um velho com um bastão de ritmo e cheiro de pimenta malagueta faz soar guizos de cobras e suçuaranas. Uma matilha de lobos desenterra penas de aves mortas por um escorbuto faminto no quintal repleto de pés de mamoeiros e folhas de bananeiras rasgadas por unhas de corujas brancas. Fumo de folhas e cordas trançadas e cachimbos e fogo e fumaça e nada se diluiu e tudo flutua à minha volta como um obscuro cardume de sardinhas prateadas. Cruzo o limite do rio atrás do silêncio cheios de gritos de um apito familiar e escorrego, não para fora mas para dentro.

VII

Y nos veremos? Nunca se de ti, solo una respuesta. No lo se. No tengo nada que me ayude a saber. Y nos veremos? Paul, quén es paul? Tu amor? Hahaha, dale dime! Que harémos? Yo yo qué hacemos?  Yo puedo ir a brasil, pero no sé si te vea, tengo miedo que desaparezcas, como simpre. Y cómo sé que no me dejarás sin saber de ti? Yo voy,  podemos planear este año. Pero cuando planeamos? Necesito saber si vienes por mi?, dónde viajar? Algo concreto. Y sério. Tienes pareja ahora? Pareja? Como que és esto?! Comapagno, novio, hombre contigo? No ten nadie? Mandame un postale de ti hoy, de como estas ahora. Pero siempre desapareces y me da miedo. Pero mandame un postale de ti hoy. Hablemos, pero mandame una foto de ti.  Esta bien, lo haré, prometo, planeemos la fecha, sí, este año, quiero abrazarte. Pero mandame una image de ti, si? Pronto, mayo, puede ser? Busco un vuelo. Pero mándame su image. Prometo, te amo, y te deseo, desde el primer día. Estaré esperando tus noticias. Y buscaré vuelos.  Sim, y hacerte el amor, y besarte, y pasar días. Necesito de ti. Y que vivas conmigo, de cuerpo y alma.  Necesito verte. Solo somos pero juntos y daré todo todo lo que necesitas creeme, pero dame lo que necesito, y nos veremos este año. Cuando me mandas un postale? Espero, solo esperaré para hacer más cosas.  Verás que el tiempo valió la pena. Yo compraré vuelo esta semana y estaremos juntos. Te tendré por siempre, te comeré y serás mia. Y será diferente, pero necesito un mensaje de ti, que me haga saber que no desaparecerás quiero toda tuya, tu cuerpo, tu alma. Y de inmediato estaré contigo. A siempre prometido, pase lo que passe, así tengas otro hombre, tu serás mia, serás mia, a pesar de todo. Sigamos juntos, siempre, te creo. Dale, mandame una foto ahora de cómo estas, solo para verte, me gusta, espero tus fotos. Si tu me gustas, te deseo además mucho, quiero estar dentro de ti, lo entiendes? Quiero estar dentro de ti mientras te beso, que me sientas dentro de ti. Y yo te amo, pero también te deseo, y quiero sentirte, penetrarte, comerte, abrazarte, devorarte, que estes en mi dime. Crees que pueda verte en foto? Estare esperando, y esperoo, y espero. Hahaha! Y espero. Broma! Sabes?, nunca me entendistes, y me tomaste como una broma! Por favor, no nos escribamos más! 

VIII

E amanhã, quando acordarmos, o zumbido terá se dissipado. A promessa de paz arde no brilho do cutelo erguido sobre o vespeiro que flutua como uma nuvem entre os finos galhos dos algodoeiros. Do fio da navalha rebentam asas de abelhas que nos sobrevoam coalhadas de orvalho dos favos. O cílio do bago de trigo sobre a folha encardida da caderneta mostra que nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a história e nem a lembrança e nem a memória. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a vela e nem o remo e nem a barca louca. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem o colã de ginástica e nem a esgrima de florete e nem a baioneta apontada. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a bengala de marfim e nem a férula que adestra crianças e nem o charuto de fumaça importada. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a ferradura e nem o cavalo e nem o cavaleiro. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem botas por meio de lama dos joelhos e nem o escudo de bronze e nem o gorro de pala no alto da cabeça do oficial de paletó azul de brim com ceroulas brancas segurando nas mãos uma vela acesa no centro da praça. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada.  Nem o olho vendado e nem a orelha tapada e nem a boca costurada. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem os braços levantados e nem as pernas trêmulas e nem a cabeça cansada. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem o colar de ferro e nem o chicote e nem as costas lanhadas. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem o pavor das máscaras de folha de flandres e nem o estalo dos relhos e nem a palmatória.  Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem o ferro em brasa e nem os cilícios de arame e nem os grilhões de chaveta. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a tosse seca e áspera dos pulmões derrotados de ópio e nem o miasma pútrido dos restos de peixes da feira do porto e nem o tabuleiro de bisnagas e sabonetes de cheiro nos braços da mulher com uma criança esquelética na porta da fábrica. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a gamela de cozinha e nem o penico ensanguentado e nem a moringa. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a fazedora de anjos e nem o vestido da noiva viúva e nem o sopro envenenado da flauta extraviada que faz a batina do cardeal dançar sozinha no alto da escadaria. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem as noites de valsas na lua cheia e nem as serestas bandoleiras e nem o choro das cuícas passarinhas. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem os tambores e atabaques e pandeiros e buzinas e chocalhos e berimbaus e pratos e reco-recos e violas e cavaquinhos e acordeons e gaitas e bandolins e banjos abafando o urro das vozes no quarto com a lamparina de querosene apagada. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem a corda e nem a forca e nem o chapéu de chile. Nada caiu das nossas mãos enfunadas, nada. Nem o perfume de mirra e alfazema e nem o incêndio e nem o silêncio. Nada caiu de nossas mãos enfunadas, nada. Nem o gingado gafieiro e nem a doçura e nem o sorriso malandro. Ao longe o esturro da linha na agulha da máquina de costura está recosendo verde por verde e azul por azul do amarelado vestido branco da boneca de pano. Há pulmões plenos de ares, corações inacreditavelmente abertos e córneas voando da caixa de aviamentos à procura de seus donos.

IX

É verão e estamos no segundo vagão daquele trem a caminho de casa. Que casa?! Esta aqui, de portas crepuscularmente abertas, com a mesa posta e que imagino existir para nós agora. O céu está sem mancha alguma, o sol é doce como pêssego em calda e brilha feito o leite que vaza do seio de uma mãe para a boca de uma criança que volta ao sono de ser acordada para continuar a sugá-la.  Os sanhaços de plumagem carmim saem para caçar insetos, botões de flores e grãos de pólen para alimentar os seus filhotes. Há escadarias em boa parte das trilhas e são alguns quilômetros de estradas de chão esburacadas e com pedras soltas até a vista que dá para a montanha mais alta. A névoa se dissipa, e do outro lado do penhasco, meninos desnudos agarram-se ao vestido  de franjas brancas cintado por veludos da jovem e formosa mãe que mostra, sorridente, o esplendor da natureza quase intocada. Mais à frente, uma criaturinha duela com ela mesma usando uma espada feita de cana-de-açúcar, abre e fecha os olhos na dúvida de quem acertou quem primeiro, e a menina suspira de alegria pela mulher guerreira que fez dela. Um casal de garças viageiras se apoia na vegetação da borda, têm os calcanhares mordidos por saúvas e por pouco não despenca lá de cima. 

X

O rio que dá para o mar está agitado, as águas rebentam como ondas nas pontas afiadas das pedras e cobrem de bruma uma borboleta que cintila de asas inteiramente eclodidas nas paragens longínquas. Há ciganos moços e deslumbrantes indo e vindo com facões imensos agarrados às cintas encouraçadas das suntuosas fivelas que prendem as calças de costuras abadas e camisas de fino linho com bordados abertos e hobe's-de-chambres de chita multicor. Tomam gim, rum e água-ardente e parecem contentes debaixo das abafadas tendas de campanha. A mão direita de um deles tomba vagarosamente uma cabaça de água pura sobre o rosto de uma senhora com a testa enrugada. E há também um senhor com o cenho franzido que parece afrouxar o colarinho de golas atadas por uma fita preta em contraste com um colete branco ou creme enfeitado de alamares e borlas atravessados por botões e correntes de ouro ou prata. São avós e são pais e são filhos e tudo parece-me uma extensão duplicada deles próprios, de tanto que são parecidos. As lonas das casetas devem ser listradas de vermelho e branco ou verde e branco, não tenho certeza, as coisas permanentes estão passando muito depressa. Estou sentindo um fedor picante de codornizes alagando os ares e vem da fumaça que estica e encolhe entre as labaredas das abrasadoras fogueiras das vilas. Ainda não decidi o que preparar para o jantar, esta minha resistência em passar naquele mercado público onde se vendem primaveras pelo preço de um expresso, a crise do tant pire afetou-nos a todos. Não me olhe com estes olhos de soir bleu de subúrbio meu adorado Hopper de Cemitério. Estou na dúvida entre o fino Jerez de la Frontera ou a Manzanilla de Sanlúcar de Barrameda. Os pescaitos da feria! Temos jamón ibérico, queijos embutidos de goiabas e mangas desidratadas, mariscos frescos e tortilhas de batatas e de sobremesa os buñuelos e os calentitos que tanto gostas. 

XI

Um vento morno sopra dos campos de asfódelos e já ouço o ruído das vozes difusas desprenderem-se das faíscas de linhas cruzadas, forjadas das rodas de ferro maciço com duas raias quebradas daquela carroça guiada por corças selvagens que avança sem amo por um pedaço de colina, segue entre enormes palmeiras de frutos recém-caídos e torna a desaparecer pela estrada com cheiro de terra molhada e a brisa que vem dela deixa nos lábios um gosto delicioso de castanha de coco. O telefone finalmente toca. Quem discará o meu apagado nome a esta hora? É o chamado do arco e da gancheta, acabado de surgir da invertida direção da queda d'água que explode como tufão de infinitos no topo da cachoeira. Levanto-me. Tomado da costela de um peixe, do osso do meu osso fechado com a carne da minha carne, um Índio com um tufo de penas pretas no alto da cabeça. O deus aceso em quem acreditamos faz cair este pesado Nuit blanche sobre as gastas solas das nossas sandálias e um incêndio de flautas de notas arpejadas sobe pelos tornozelos e braços enfeitados de pulseiras de penas trançadas de taquaras de conchas, pingentes de tento e pedaços de chifres de alces. 

XII

Um lenço barrado de seda com um minúsculo estilhaço de dente-de-leite gira como uma mandala no escuro redemoinho da água, a rosa de sangue renasce entre os lábios e nossas ancas chocalham como serpentes de fogo ao som das castanholas. Tomas-me pela cintura e a música arquivada no sótão da memória conta uma história: a nossa, Pega-rabudo-de-coroa-de-papelão prancheando na linha da minha vara com a ponta quebrada e tirada, ao acaso, de uma velha e compositora caixa em formato de meia-lua.


lídia martins